Quinta-feira, Julho 26, 2007
Composições
Sempre tive sede por histórias geniais. Não sei por quê raras foram as vezes que consegui me concentrar e me centrar a escrever algo interessante, o qual eu possa ler e reler depois de anos e continuar achando genial. Aprecio muito pessoas que escrevem histórias distintas ou absolutamente distintas do que acontece ao seu redor. Mesmo assim nunca me afeçoei a histórias mirabolantes do tipo Harry Potter e Senhor dos anéis. Inegável criatividade desses autores, porém admiro mais aqueles que escrevem histórias comuns e instigantes. A vida urbana me fascina, por esconder milhares de universos, é capaz de embasar inúmeras histórias interessantes. Os ingredientes estão soltos, sagaz é aquele capaz de unir elementos a fim de criar uma história rica em passagens secretas, entrelinhas e fechaduras a espiar. Me preocupa a linha tênue entre a genialidade e o clichê, e por estar rodeada de clichês talvez ainda tenha uma estrada pela frente antes de entender minhas próprias histórias.
Quarta-feira, Maio 23, 2007
Síndrome de Caco Antíbes
Esse pode ser o post mais preconceituoso que já escrevi, mas de certa forma demonstra um sentimento meu que não é de hoje. No dia que eu não precisar andar mais de ônibus em Porto Alegre não tenho dúvidas de quanto serei mais feliz. Ônibus é uma tragédia em qualquer época do ano, quando tem poucos passageiros ou pior ainda quando está lotado. No verão até quem nunca andou deve imaginar. Aquele cheiro agardável de bafo, todo mundo bem grudadinho, deixando as marcas de suor nos assentos, e quando consegue um lugar na janela aquela marca do tiozão que veio dormindo na viagem e encostou o couro cabeludo no vidro. Sem falar naquelas garotas que embebedam os cabelos de seda ceramidas, ou aqueles rapazes que se banham no perfume mais xumbrega, impregnando o ambiente. Em dias de chuva as janelas se fecham, afinal todos preferem não se molhar a compartilhar o mesmo oxigênio. Isso pra não entrar no detalhe dos ônibus que têm janelas vedadas. Nesse caso reze pra ser um dia quente quando o ar condicionado provavelmente estará ligado, pelo menos age mais no psicológico pois aparenta ser mais fresquinho e até esquecemos que respiramos os vírus e bactérias reproduzido pelo filtro do ar nunca-antes-lavado. Em dias de inverno sufocarás com o cheiro de cachorro molhado, já que o motorista que controla o ar geralmente está com a ventoinha aberta ao seu lado e não faz nem idéia do que o povo está sofrendo ao longo do veículo. Os dias frios, são trágicos também, já que, com a temperatura mais baixa na rua ninguém ousa abrir as janelas. Se o ônibus tem menos do que uma pessoa por assento até vá lá. O problema começa quando o ônibus vai lotando e as pessoas não se dão conta que há uma grave discrepância entre a rua e o ambiente interno, preservando suas janelas lacradas. Nessas horas é válido observar as expressões: todos com o olhar longe, pensando nos problemas da vida e eu quase sufocando pensando se ninguém ali dentro gosta de respirar! Minha fobia piora ao ver, em cada parada, pessoas entrando com seus casacos peludos e blusões que ficaram guardados juntando pó e ácaros durante 6 meses ou pior ainda aqueles que fedem a cinzeiro, pois acabaram de jogar seus cigarros acesos pela metade na sarjeta. Nessa época a marca no vidro não é o suor do tiozão que enconstou a cabeça e sim daquele cara que espirrou virado pro vidro e esqueceu de, educadamente, colocar a mão na frente. Argh, odeio ônibus!
Sexta-feira, Abril 27, 2007
Avulsa
Sei que já falei várias vezes aqui nesse blog sobre mudanças, e gostaria de falar novamente nesse momento, pois acho que realmente mudei em relação há muito do que eu conhecia por mim mesma quando comecei a escrever esse blog. Tanto há uma mudança que no momento não consigo mais pensar em coisas que seguem a minha idéia inicial desse blog, de momentos e ocasiões banais que permeiam o nosso dia a dia. Meu raciocinio tem sem complexificado de uma maneira intensa, através de livros, também, mas de muita reflexão. E de como é possível, através da mudança nas atitudes receber em troca a mudança nas atitudes dos outros. É possível sim atrair só aquilo que se quer, e que se gosta. Pois quando a gente age de acordo com a nossa natureza e aprende a ouvir a nossa intuição as coisas acontecem como um movimento cósmico, sem quebras brutas ou interrupções que levam o rumo da vida pra um caminho não natural. Hoje encerro mais uma fase de trabalho da minha vida, e abraço um pacote de sentimentos que anseiam o que está por vir.
Terça-feira, Janeiro 09, 2007
Monstros S/A
Me mudei há pouco tempo, conforme diz o post abaixo. No meu antigo prédio, se eu sabia o nome de dois vizinhos era muito, mesmo tendo morado lá por uns 10 anos.
Agora que me mudei já sei que meus vizinhos de cima e de baixo moram sozinhos e recebem visitas de amigos (muitos) frequentemente, a vizinha do final do corredor é advogada, e no térreo tenho uma vizinha argentina.
Outro dia minha mãe encontrou essa argentina no super, e ela contou que o nosso vizinho de porta é maluco. Louco mesmo, de atar em poste. Diz que ele esbarra nas pessoas, não segura o portão, isso quando sai de casa, pois parece que os pais dele entregam um envelope de dinheiro periodicamente através da grade do portão. Essa fofoca é dos porteiros do prédio ao lado, onde tem uma clínica oftalmológica. Minha mãe contou a notícia beirando o medo, pois moramos só ela e eu, então que era pra eu ter cuidado quando estivesse sozinha em casa. Eu não dei muita bola, como sempre, achei que ela estava supervalorizando a fofoca. Mas a minha imaginação é algo interessante, e outro dia quando estava saindo de casa ouvi uma risada e passei a imaginar que quando eu passasse na porta do vizinho ele abriria a porta como de supetão e olharia pra mim dando uma risada maléfica! Pode?!
Terça-feira, Dezembro 19, 2006
Novo Lar
Na minha casa hoje me sinto como uma estranha no ninho. Não sei onde ficam meus talheres, nem os pratos. Não sei quais são as chaves que abrem a porta da casa, nem do prédio. Barulhos são diferentes, vizinhos são diferentes, paisagens da janela são diferentes. Até que isso se torne aquela casa com história, aquela casa com fantasmas. Quando acordo é como se tivesse dormindo na casa de outra pessoa. Meu pensamento ainda não está aqui. Deixei parte do meu espírito no meu antigo quarto. Minhas memórias, meus choros e euforias. Meus objetos ainda estão quadrados nessas novas paredes. É preciso construir um novo porto seguro.
Domingo, Outubro 29, 2006
Canetas
Tem coisas que acontecem que a gente às vezes se pergunta se é coincidência, se há motivo, ou se pura e simplesmente acontece aleatoriamente. Independente disso, ultimamente tem acontecido comigo que todas as canetas que caem na minha mão terminam a tinta. Eu já experimentei caneta achada, caneta que veio parar na minha mão por qualquer motivo, caneta 'roubada', caneta comprada, caneta do trabalho, caneta de brinde... no último mês umas 5 canetas me deixaram literalmente na mão. Esse clima de tcc até poderia explicar, afinal eu tenho escrito bastante até, mas algo não condiz, pois muito do que escrevo pula a etapa da caneta: direto da cabeça pro computador. Vai entender, começo a suspeitar que as canetas não vêm mais com a mesma carga que antigamente.
Ritmo de Primavera
Desde o dia 23 de setembro, quando por convenção, se iniciou a primavera em Porto Alegre, as árvores têm ficado mais verdes, o vento com mais intensidade, o clima mais diverso e é claro, os passarinhos cantando mais. No dia 23 de setembro teve um passarinho que mora numa árvore perto do meu apê que cantou empolgantemente desde o primeiro raio de sol, até, pelo menos, a hora que eu fui dormir. Normalmente essas manifestações da natureza não me incomodam, e de fato, nesse dia não me incomodaram, pois entrei no clima de primavera (exceto a lembrança dos meus ataques de rinite que pioram geometricamente nessa estação). O passarinho segue cantando, a mesma canção, até hoje e sabe-se lá até quando. Na verdade já estou enjoada da música entoada por ele, em alguns momentos inclusive já me irrito, ainda mais quando percebi que o passarinho que mora na árvore do meu trabalho canta diferente. Faltou um intercâmbio pra manter a diversidade musical.
Quinta-feira, Setembro 07, 2006
Novo Visual
Certa vez em minha vida havia cortado meu cabelo abaixo do ombro. Foi o mais perto de mudar o visual, fora algumas luzes e reflexos que só reforçaram a cor natural. Dessa vez acho que ousei um pouco mais. Já estava há tempos namorando um novo corte pro meu cabelo. Aquela coisa lisa, reta, comprida, já tava me cansando, ao mesmo tempo que sempre foi uma segurança. Rabinho, trança, nó, chapinha, cachos, faxinha, tic-tac... tudo era possível. Agora perdi metade das possibilidades e ganhei outras: não usar mais condicionador, não ter tantos nós, menos tempo de secador, maior maleabilidade, menos peso nos ombros. Enfim, uma troca que vem me proporcionando novas sensações e um bom tempo pra me acostumar com a nova imagem no espelho.
Quarta-feira, Julho 26, 2006
Fama por um triz
Assisti um pedaço do programa que a Marilia Gabriela entrevistou a dupla Sandy e Junior, onde ela perguntou aos dois, quais cantores/ cantoras, livros e filmes preferidos. Me surpreendi com a normalidade das respostas. Ele, bem pop, respondeu Lenny Kravitz, Código da Vinci (era o que estava lendo no momento) e a trilogia Matrix. Ela, bem cult, respondeu Ella Fitzgerald, qualquer livro da Clarice Lispector, e dois filmes: o documentário "quem somos nós?" e Closer.
Nada de muito surpreendente, nem que eu esperasse isso, já que se tratando da dupla tudo sempre me pareceu muito clichê. Entre os famosos todos parecem ter muito carinho com eles. Já cansei de ver a Xuxa se derreter, as meninas do Saia Justa elogiarem, o Faustão nem me impressiono quando ele diz que fulano é o melhor no que faz mas também entra pra lista, além da própria Gabí que escapou no meio da entrevista: "sim, nos encontramos no show do Lenny, não é mesmo?". Imagino que eles devam ser tratados como verdadeiros filhinhos das celebridades.
Fico imaginando um desses eventos globais, quando dois famosos, que nunca foram devidamente apresentados, se encontram já se cumprimentam naturalmente, afinal, somos todos famosos. Isso deve ser realmente fascinante, já que cansamos de ver pencas de severinos, fazendo coisas que Deus duvidaria, pra ter seu minuto de fama.
Quarta-feira, Julho 12, 2006
Mala-sem-alça-direta
Todos os dias, ao abrir minha caixa de correio subo pra casa com habituais contas, extratos e uma quantidade considerável de propaganda: flyers de pizzaria, cartões de serviços hidráulicos, elétricos e de alfaiataria, guia da dona de casa, entre outras coisas, ate certo ponto, úteis. Ate que passei a reparar na freqüência de recebimento das ofertas de supermercado. Sincronicamente cada dia as ofertas de um super diferente: segunda - zaffari, terca - nacional, quarta - rissul, quinta - comercial zaffari, sexta - zaffari (de novo por que eh o mais perto de casa). Eu trabalho com propaganda, imagino a quantidade de pessoas que não dormem direito ou deixam de ficar com seus filhos pra ter que acompanhar produção de materiais como esses, pois ofertas mudam da noite pro dia (as vezes em menos tempo que isso). Fico me perguntando se de fato isso funciona, por que na esmagadora maioria das vezes esse informativos sobem as escadas comigo pra terem seu destino comum. Considero-os como spams na minha caixa de emails: uma invasão de privacidade com informação inútil e que vai direto pra lixeira.
Segunda-feira, Julho 03, 2006
Filhos
Observo, e sabemos pela tv e convivência em geral como a infância das crianças pos-modernas esta cada vez menor, abrindo espaço cada vez mais cedo pra adolescência e suas implicações. Estou longe, bem longe de planejar isso, mas quando eu tiver meus filhos fico imaginando se serei capaz de barrar o avanço de coisas que acabam exterminando o que há de melhor nessa época da vida. Vejo filhos de conhecidos e as crianças da família cada vez mais espertos precocemente: isso eh um bom sinal, mas será que não eh isso que faz com que as crianças amadureçam mais cedo e tenham vontade de ser ¿gente grande¿?
O saudosismo da infância 80 eh grande, podemos ver pelas festas, tendências e comunidades no orkut. Todos tem saudades dos seus pogobols, pula pirata, caverna do dragão e smurfs. Desejo pros meus filhos mais do que shopping center e bons colégios. Desejo contato com a natureza, simplicidade e respeito ao próximo. Não os quero crianças fúteis e sem valores. Já ouvi de especialistas que as pessoas criam suas personalidades nos primeiros seis anos de vida. Então não há por que trata-los como crianças e achar que os princípios da vida soh são capazes de serem assimilados quando se da por individuo.
Sábado, Abril 29, 2006
Chata consciente
Desde que parei de fumar há uns dois anos mais ou menos, tenho tido o péssimo hábito de ser muito estúpida com as pessoas que fumam. Por mais educada e simpática que eu sempre tento ser com as pessoas, pois ninguém merece que um estúpido cruze o seu caminho, com fumantes às vezes fica difícil segurar a onda. Meninos fumantes não tem a menor chance comigo, minha mãe e minha irmã quando resolvem fumar no mesmo recinto que eu também sempre escutam meus resmungos. Meu olfato apesar de todos os problemas respiratórios consegue perceber o cheiro de cigarro de longe, com o vento ao contrário. Quando volto do intervalo da faculdade sinto um cheiro insuportavelmente ruim nos meus cabelos, e quando volto de algum bar fechado então, nem se fala. Dizem que o ex-fumante é pior que qualquer não-fumante, mas dessa chatice eu não abro mão.
Terça-feira, Março 14, 2006
Chag Sameach!
Hoje é festa judaica! Aliás, acho que muitas festas e novidades me esperam esse ano. O nome da data é Purim, e se fala com a primeira sílaba tônica. Como a maioria das datas judaicas, é a celebração de algo que aconteceu a many years ago... A festa é semelhante ao carnaval, mas algo bem longe da minha realidade. As crianças lá no colégio se fantasiaram e dançaram coreografias e músicas muito peculiares. Tudo muito simpático, alegre e com muitas palmas e pulos; as músicas nada de muito sofisticado, mas todas muito embalantes e em hebraico, o que é uma pena. A única que eu entendi era uma que falava repetidamente a palavra shalom, que é uma espécie de cumprimento. A culinária específica é também muito curiosa. Pra essa data, uma das receitas é um doce chamado orelha de Haman (Oznei Haman). Um pastelzinho com recheio de goiabada, uma delícia! Aos poucos vou conhecendo mais e me encantando com essa rica cultura. Chag Sameach!
Segunda-feira, Março 13, 2006
meandros
refém da eternidade
à espera de oportunidade
planejo riscos
sonho como vício
um verão em Calcutá
ou sob o sol de Toscana
cada vez num lugar
minha mente profana
englobar felicidade
como dentro de uma bolha
são relativos tempo e espaço
simplificando não precisa muita coisa
Quarta-feira, Março 01, 2006
folia
animal animado
ânimo carnal
anima o carnaval
Quarta-feira, Fevereiro 15, 2006
Passageiro
olhar piscar olhares
troca um
muito intenso
toca muito
tem desprezo
um passo pra frente
na vida de trem
espera que vem
que passa
triste parece
riso trespassa
amor não padece
na parada que chega
Se forte fica
para alegria
se sorte vai
caio na vida
Segunda-feira, Janeiro 23, 2006
O bom da festa
Ultimamente tenho me surpreendido com um acontecimento em comum que assola toda a comunidade. A eterna briga entre barulho e silêncio, festa e descanso, comércio e folga. No reveillon desse ano estive em Garopaba e passei todas as noites dos meus dez dias na Ferrugem. Lá está vigorando desde o ano passado uma lei que determina o horário de fechamento de todos os estabelecimentos às cinco horas da manhã. Sensação estranha de estar recém começando a festa e as portas dos bares irem se fechando, as pessoas ficando na rua e depois disso a beira da praia lotada de pessoas curtindo sol nascer. Percebi que as próprias pessoas que revindicaram a lei estam sendo prejudicadas pois o movimento que mantém a praia, caiu drasticamente. Semana passada estive na Cidade Baixa, na boêmia rua da República, onde muitos bares colocam mesas nas ruas e me parece ser um ótimo lugar para curtir uma noite leve. Pois não é que descobri uma lei que determina que todos os bares devem tirar as mesas da rua até à meia noite?!? Essa lei existe há uns dois anos e eu nunca desconfiei que ela existia, isso é por que a maioria dos comerciantes não cumpre... Não sei o que se passa. No último fim de semana pra minha surpresa completa fui a uma festa de formatura, que seguiu o baile na tradicional Sogipa. Não é que às cinco e meia da manhã a banda que animava a festa encerrou seus serviços com o antipático hino "ai ai ai ai, tá chegando a hora", as luzes se acenderam e a festa que bombava, simplesmente terminou. Imagino que esses acontecimentos podem ser o reflexo de uma vontade coletiva de que as festas passem a começar mais cedo, terminando consequentemente mais cedo, ou como as raves que devem passar a começar de manhã e durar o dia inteiro, deixando imperar a paz entre os vizinhos. Seja como for, essa fase de adaptação deve causar prejuízos tanto para os comerciantes, que primeiramente podem perder clientela, como para os frequentadores que ainda não se conscientizaram a chegar cedo, e vão acabar perdendo o bom da festa.
Sábado, Janeiro 21, 2006
Em sintonia
Não acredito em destino no sentido de tudo que se faz na vida é predestinado. Acredito num destino de oportunidades e escolhas que temos na vida. E que somos, nada mais nada menos que o resultado disso. 2006 já me mostrou que certas coisas precisam de sintonia pra acontecer e que talvez eu possa ser uma simples peça incapaz de alterar o destino a menos que eu seja muito teimosa. Se o ano vai ser da mesma forma que foi o primeiro mês eu já estou comemorando. Depois de ter descarrilhado por alguns anos, espero ter conseguido voltar para a rota das engrenagens do universo. Por que não consigo parar de pensar que é isso que dá sentido à vida...
Quinta-feira, Dezembro 22, 2005
Adeus Anos Velhos
Dizem que pra uma pessoa se realizar na vida ela deve ter, no mínimo, plantado uma árvore, escrito um livro e ter tido um filho. Pois bem, não lembro de ter plantado nada além do feijão no algodão quando tava no colégio e uma vez plantei uma semente de manga numa casa de veraneio alugada, mas essa não vale por que eu nunca vou saber se vingou, mesmo que o que importe seja a intenção. Nesse caso uma vez plantei uma árvore virtual, mas acho que também não vale. Nunca escrevi um livro. Já escrevi duas peças de teatro, que até poderiam ser adaptadas a um livro, mas não seria tão emocionante, e de qualquer forma eu teria que comprar os direitos das outras duas pessoas que escreveram comigo. Além disso, tem a minha monografia que está a caminho, mas não posso considerar pois ela está sendo feita por obrigação. Tem também esse blog, que guarda ótimas histórias, mas juntando não sairia nem dez páginas. E quanto a ter filhos, logicamente ainda não tenho, e não pretendo ter tão cedo.
Se eu morresse amanhã, pelo pressuposto acima, morreria infeliz e não teria cumprido o mínimo de contribuição para a humanidade. Nesse caso vou aproveitar a última semana e pensar nas minhas metas para 2006.
Terça-feira, Dezembro 20, 2005
Será uma esperança? Pelo menos não estamos sozinhos..
divulguem!
FAZENDO ACONTECER 2006
Domingo, Dezembro 11, 2005
Uma luz
Acho que essa vela tá estragada... já deve ser a quinta vez que eu tento acender e o pavio parece que tá molhado.
Acende,
daqui a pouco apaga.
Domingo, Novembro 13, 2005
Ainda não é hora
Escrevi um scrap no orkut de uma colega contando que eu havia passado pra próxima etapa de uma seleção de estágio. Ela leu o scrap enquanto estávamos em aula, no laboratório de informática, e então me disse: Parabéénnnns! E o colega ao lado disse: Bah parabéns!
Então toda a turma começou a cantar "Parabéns pra você/ nesta data querida..." e depois "É pique, é pique... é hora, é hora, é hora..."
Eu que sou janeirista e nunca fui contemplada por esses momentos de cantoria em sala de aula, não sabia se ria muito ou se curtia o momento. Ao sair da aula alguns colegas ainda perguntaram onde era a festa, ou me deram parabéns pessoalmente. Engraçado foi a reação deles quando eu dizia: mas não é meu aniversário!
Segunda-feira, Outubro 31, 2005
O nome dela é
Sei que existem pessoas que sofrem por causa dos nomes complicados que certas mães têm a infelicidade de escolher na hora de registrar a cria. Mas nunca achei que eu um dia me incomodaria por ter um nome tão simples. O problema é que de Lúcia para Luciana é quase nada, e mesmo assim as pessoas insistem em ouvir meu nome e depois me chamar de Luciana. Absolutamente nada contra Lucianas, de algumas eu inclusive gosto, mas modéstia à parte eu gosto bem mais de Lúcia. Agora, uma coisa eu não entendo: Se Luciana é maior e leva mais tempo pra ser dito, por que será que o nome Luciana fixa mais na cabeça das pessoas? Ou será que as Lucianas passam pelo mesmo que eu?
Terça-feira, Outubro 25, 2005
Tempero da vida
Minha vida anda tão normal que eu ando tendo umas alucinações. Não sei se tenho assistido televisão demais, mas seguidamente quando eu entro em casa fico imaginando como seria encontrar um corpo ensanguentado no corredor. Ou se vou na cozinha parece que, ao acender a luz vou ver um fantasma. Tenho pensado frequentemente em fazer terapia, ou consultar um psicólogo, só pra ver se ele me dá um diagnóstico de pessoa normal ou se me dá algum medicamento (talvez pra eu alucinar de vez). Hoje de manhã quando fui sair de casa a porta titubeou em não abrir e eu fiquei imaginando o que eu faria se a porta simplesmente estivesse trancada, visto que não existe mais a chave da porta da frente (desde que roubaram a minha mochila). Bem, o meu diagnóstico frente a todos esses meus sentimentos é de que anda faltando aquela pimentinha básica na minha vida. Então parece que precisa acontecer algo atípico pra as coisas terem graça (leia-se emoção). Hoje vou à uma sessão de reiki pra ver se brilha uma luz no fim do túnel.
Sexta-feira, Outubro 14, 2005
Segredos de liquidificador
Segredos contados ao pé do ouvido que causam aquele tremor no corpo como um liquidificador.
Foi essa definição que me fez escolher um novo nome pro meu blog.
Segredos de liquidificador foi o nome que eu escolhi pro meu blog, há um ano e pouco. Escolhi o termo sem saber o que significava... imaginava que pra mim seriam os meus segredos e de todos que participassem num liquidificador, brotando novas idéias e muitos devaneios. Cazuza usou em uma música (acho que foi ele que inventou), e depois outros cantores usaram também em suas músicas (a única que eu me lembro é a Marisa Monte, mas acho que tem mais :P).
Ainda assim o significado continuava uma incógnita.
Esses dias descobri o significado, e então percebi que não tinha absolutamente nada-a-ver com o conteúdo do meu blog. Tudo bem que até aí eu já tinha criado uma identidade pros meus segredos de liquidificador. Mesmo assim desde lá venho pensando em um novo nome pro meu blog, por que toda vez que penso em segredos de liquidificador já não consigo identificar meu próprio blog.
Pensei um pouco, e cheguei nesse novo nome, que traz meu espírito de forma implícita. São meus doces delírios, com uma pitada de lucidez, afinal eu, capricorniana nata não posso desgrudar meu pé do chão. Bem, ele tem muitos significados, mas prefiro que cada pessoa que leia descubra os seus.
Quarta-feira, Setembro 28, 2005
Mendigando
Ainda hoje quando estava chegando na parada de ônibus tinha um mendigo sentado na calçada, e uma menina, que poderia ser eu, agachada, conversando com ele. Conversando não, ela estava oferecendo um bolo que estava dentro de um pote. Parei ali por perto e notei que todas as pessoas que passavam, olhavam. Percebi que aquilo chamava a atenção de todos assim como chamou a minha, pois as pessoas não só olhavam, mas viravam o pescoço pra tentar entender a situação. A menina ouvia atentamente o que mendigo falava e ele gesticulava como se estivesse num divã. Em alguns momentos consegui pescar as lamúrias do calejado mendigo, falando como era difícil passar o frio das madrugadas e depender da ajuda dos decadentes albergues.
Quando o ônibus chegou ela se despediu com um aperto de mão e disse que havia sido um prazer conversar com ele. Prazer é ver uma atitude dessas, tão rara, que é se doar um pouquinho e fazer grande diferença pra uma pessoa como aquele mendigo. Um minuto de atenção, se sentir notado frente a uma sociedade que geralmente não consegue enxergar além do próprio umbigo. Quem ficou mendigando um sentimento de coragem pra fazer o mesmo fui eu, que me comovi com algo tão simples e já pensei em escrever o diário de um mendigo... Muito curioso.
Sexta-feira, Setembro 16, 2005
Função Soneca Ativada
Um amigo comentou esses dias que o sono é inerente ao ser humano. Não só é como pra mim eu acho que vai além disso. Essa semana o sono me acompanhou em 80% dos momentos que eu tava acordada, ou pensei que tava acordada, pois a sensação é de um tal botão automático que deve ficar em algum lugar desse meu corpo. Não tenho certeza mas acho que o frio e a chuva agravaram e muito nesse fato.
A hora de dormir é tão gloriosa, tão gostosa, e saber que muitas horas de sono naquela cama fofa e quentinha estão por vir. Inversamente proporcional é a sensação de quando acordo, que tristeza... a cama parece estar quinhentas vezes mais gostosa, ela te abraça, não quer te deixar sair, te convence por a mais bê que aquele dia cinza merece mais cinco minutos. Mas se fosse por mim de cinco em cinco eu ia até o meio dia!
A responsabilidade chega batendo panela e te puxa da cama pelo pé, gritando no teu ouvido que tu não pode mais se atrasar, levanta agora e deixa essa preguiça ficar aí dormindo que ela é preguiçosa demais pra te acompanhar.
Viva o fim de semana!
Quinta-feira, Setembro 01, 2005
Chuva cai
Nesses dias de chuva volto a pensar numa questão que há tempos venho me perguntando. O homem com mais de dois mil anos de existência já inventou coisas que até Deus duvida. Quantas inúmeras vezes a gente se pega falando: "Os caras não tem mais o que invetar", e mesmo assim eu ainda me pergunto como que o homem ainda não inventou um guarda-chuva mais eficiente. O nosso velho amigo guarda-chuva já existe há sei lá eu quantos anos, e praticamente nunca se modernizou no sentido prático da coisa.
Em dias de chuva eu acabo tendo duas opções que eu acho que se estende pra maioria das pessoas: ou tu sai de casa carregando um trambolho que pode ser um pouco mais eficiente, ou tu sai carregando aqueles mais compactos que cabem dentro da bolsa, mas que na hora do aperto vão te deixar na mão e qualquer ventinho mais forte vão fazer ele virar ao contrário fazendo tu pagar o maior mico, ainda por cima. E mesmo assim nem sempre funciona, nesse caso, pra não se molhar, a chuva deveria ser sempre perpendicular ao chão o que dificilmente, ou nunca acontece.
Isso sem contar os temporais, por que se tu tiver que enfrentar um na rua (pra não dizer no Centro de Porto Alegre), esquece! O guarda-chuva vai ser só um empecilho, ou no máximo pra evitar que tu não molhe o cabelo, e se for curto. Sapatos, meias, pés, calças, bolsa, corpo inteiro estarão encharcados só de botar o pé na primeira calçada a céu aberto.
É... dias de chuva são realmente mais difíceis, as pessoas sorriem menos, tem mais vontade de ficar em casa, chegam molhadas no trabalho ou na faculdade, o trânsito fica ainda mais caótico, pegamos resfriados e ainda temos que carregar os malditos guarda-chuvas.
Sexta-feira, Agosto 26, 2005
Fazendo hora
O meu horário de trabalho aqui na Gang começa às 8h. No primeiro dia de estágio eu cheguei às 7:55. Não tinha quase ninguém na empresa. No segundo dia eu já tinha sentido melhor a situação e cheguei 8 e pouco. Com o tempo fui acertando meus horários (cada minuto na cama é sagrado, então nada de enrolação). Bem, nos outros dias comecei a chegar sempre no mesmo horário entre 8:07 e 8:15. Nessa semana teve dois dias que eu cheguei pelas 8:30.
Quando eu trabalhava na Parla aconteceu o mesmo: meu horário começava às 9h. Depois de um mês eu já chegava 9:30. Mas lá tinha um fator agravante que era: às 9h era capaz de encontrar a agência de portas fechadas, sem contar que o núcleo de criação só chegava pelas 11h.
Acho que isso sempre acontece, pois um amigo meu comentou que ele sempre chega meia hora atrasado no trabalho dele.
Mesmo assim aqui na Gang eu tenho que me cuidar, pois o pessoal é cricri com muitas coisas e já fui avisada que qualquer dia desses eu posso receber "o chamado". Que medo!
Segunda-feira, Agosto 22, 2005
Lixo do marketing
A lixeira do meu trabalho é sempre a mesma, o saco que segura o lixo também é sempre o mesmo. Isso porque nessa mania corporativa de economizar (geralmente contraditória) a tia da limpeza só vira o lixo num sacão maior e pronto: lixo novo! Essa semana e semana passada eu andei comprando várias caixinhas de chiclé e na ânsia ao invés de tomar cafézinho eu mascava uma gomex. Só que ao jogar no lixo, digamos que é uma coisa óbvia, o chiclé grudou no saco do lixo... Quando a tia vem limpar e recolher o lixo ela vira o cesto e o chiclé continua lá grudadinho, não sai nem por um decreto. Até aí tudo bem, só que como eu havia falado eu comprei várias caixinhas então vocês podem imaginar a coleção de chiclés que ficaram grudados no meu lixo. Bem, é nessas que se lança moda... lixo com decoração interna, tire o lixo da escuridão, dê a ele uma decoração. Acho que vou bater um papo com a tia da limpeza.
Quinta-feira, Agosto 18, 2005
Três é demais
A minha relação com o meio jornal nunca foi muito fiel. Não lembro de ter tido alguma vez assinatura em casa, e geralmente só tenho hábito de ler quando estou no trabalho. Isso quer dizer que se no meu trabalho não tem jornal eu também não leio. Talvez num domingo, numa sala de espera ou numa cafeteria... mas o hábito em si nunca morou em mim. Aqui no meu trabalho tem Zero Hora e O Sul. Não na mesma proporção, já reparei que O Sul deve chegar uns quatro exemplares e ZH apenas uma. Não sei por que mas essa única ZH é pro meu departamento, e na verdade eu nem preciso dividir ela com muitas pessoas. A única pessoa que também lê de vez em quando até se esquece. Então ela fica aqui vagando aberta na minha mesa, enquanto faço outras coisas ela está ali, daqui a pouco dou uma folheada, leio as coisas que me interessam e assim ela vai, mudando de lugar por que geralmente se coloca em cima de toda a bagunça organizada da minha mesa. Mas uma coisa tem me chamado a atenção de uns tempos pra cá: a minha afeição pela página três. Por mim tem dias que de todo o jornal só valeu a pena ter lido a página três. A página é composta basicamente de notícias não convencionais, uma foto de leitor, uma charge, uma crônica e uma partezinha que diz: "a propósito". Perguntas geralmente cabíveis na situação, que geralmente exigem conhecimento prévio dos acontecimentos do Brasil e do mundo, e muitas vezes poderia responder àquele comentário: a pergunta que não quer calar. A propósito, será que existe uma comunidade no orkut dos adoradores da página três ou eu sou a única?
Segunda-feira, Agosto 08, 2005
A arte do desapego
Há duas semanas minha mochila foi roubada. A sensação da perda é impressionante, fiquei em estado de choque, sem pensar, e tentando assimilar tudo que tinha dentro da mochila a primeira coisa que lembrei foi da minha máquina digital, e das fotos que eu tinha tirado num aniversário naquele mesmo dia. Depois que cheguei em casa, que meu pai já sabia do roubo, e que eu me vi sozinha novamente, cada lembrança de um objeto pessoal que havia se perdido sentia uma fincada no peito. Meu caderninho de anotações, meu prendedor de cabelo, um cd com vários arquivos e fotos, minha chave de casa, meu radinho, etc. Desapega, Lúcia, desapega... Mesmo assim ainda esses dias eu dei falta da minha calculadora e novamente aquela fincada (bem mais amena, mas fincada igual) me abordou. Eu não me considero uma pessoa materialista, mas as pequenas coisas que possuo e que conquisto com algum esmero eu valorizo e o que mais dói é saber que o que era bastante pra mim não significou nada para os ladrões que devem ter destinado um triste fim aos meus objetos: o lixo. :(
Segunda-feira, Agosto 01, 2005
Hipocondria
No último sábado fui a uma festa de formatura, e geralmente nesse locais adequados pra festas eles costumam colocar no banheiro um kit sobrevivência para mulheres com algodão, cotonetes, desodorante, escova de cabelo, remédios pra cólica e dor de cabeça, meia-calça, etc. E na festa que eu fui não era diferente, notei a primeira vez que fui ao banheiro que tinha vários tipos de remédios desde tylenol até olina.
Lá pelas tantas fui ao banheiro de novo e enquanto lavava as mãos uma faxineira recolhia o lixo. Daqui a pouco ela comentou comigo que estava com uma imensa dor de cabeça, e eu prontamente como boa samaritana que sou, disse a ela que ali naquela caixa haviam vários remédios pra dor de cabeça, que não teria problema dela tomar algum. Quando abrimos a caixa parecia que todas as mulheres da festa tinham resolvido ficar com dor de cabeça pois a essa altura do campeonato já não tinha mais um remédio sequer. Entre os outros apetrechos que ali se encontravam achei uma cibalena e disse pra ela que eu costumava tomar aquele remédio quando eu tinha cólica, e que se ela estivesse com uma dor de cabeça muito forte talvez a cibalena funcionasse pra dor. Depois disso a faxineira fez um comentário que me fez desconfiar que quem tinha tomado todos os outros remédios tinha sido a própria, ela disse: é.. até acho que essa minha dor de cabeça é de cólica. Bem, mal não vai me fazer, né?
Eu só concordei, por que dizem que não se deve discordar de alguém que não bate bem da cuca. Ainda mais se a pessoa já tomou doses excessivas de tylenol, aspirina e cibalena. Cada um que me aparece...
Quarta-feira, Julho 27, 2005
Foi sem querer querendo
Tem um episódio do Chaves em que ele monta uma tenda de refrescos na rua da vila e dentro das variedades ele oferece três sabores: limão, groselha e tamarindo. Como é de costume do personagem fazer confusão ele sempre diz que um refresco é de limão que parece de tamarindo e tem gosto de groselha, o outro é de tamarindo que parece de groselha e tem gosto de limão, e o outro é de groselha que parece de limão e tem gosto de tamarindo. Confesso que o Chaves é um personagem que participou de coisas boas da minha vida, já ri muito com ele e também já foi pauta de assuntos de muitos churrascos entre amigos.
Hoje na hora do almoço fui até o posto comer qualquer coisa e perguntei pra moça do balcão de que eram os salgados. Até que um me pareceu interessante ela disse que era de presunto e queijo e ricota (eu nunca gostei de presunto, mas não sei por que resolvi optar por aquele salgado). Foi sorte a minha mas o presunto mais parecia salsicha e de fato tinha gosto disso. Enquanto pensava se comia mais algum salgado ou se partiria para os doces achei que eu poderia comer uma bela fatia de torta que estaria satisfeita. De cara perguntei sobre uma torta que parecia muito apetitosa, tinha morangos, uma cara de doce de leite e alguma coisa parecida com aquelas castanhas que vão em cima do sundae do mc. Na verdade a torta era inteira coberta com isso e foi quando a atendente disse que de fato eram castanhas. É essa mesmo que eu quero! Conforme eu dei a primeira garfada já vi de cara que não eram castanhas e sim nozes (Tudo bem afinal castanhas, nozes, amendoim, avelãs, pistache, essas coisas tem quase o mesmo gosto e combinam muito bem com tortas). Ainda bem que eu não resolvi tomar café depois de tudo isso era capaz da moça me alcançar o sal no lugar do açúcar.
Segunda-feira, Julho 11, 2005
Sexto Sentido
Aqui perto do meu trabalho quase não existem estabelecimentos que vendem doces, chocolates, bolachas, essas coisas. Uma simples padaria, confeitaria, tabacaria ou assemelhado sequer. Os que têm são das duas uma: ou largados daqueles assim de procedência duvidosa ou são com variedade limitada. Eu que sou uma exímia apreciadora de guloseimas e afins, confesso, estou sofrendo um pouco por causa disso (há males que vem para bem e nesse caso mais ainda).
Hoje depois do almoço eu fui até o banco e na volta decidi que encontraria um picolé. Fui caminhando e observando dentro dos lugares procurando algum que tivesse aqueles freezers. Em certo ponto do caminho quando as minhas opções de compra já se resumiam a uma confeitaria meio capenga eu resolvi que eu nem queria mesmo comer picolé. Até que eu tentei entrar na confeitaria pra ver se algum doce me satisfazia, mas ela realmente é limitada por demais da conta. Resolvi que assim eu não comeria doce e não gastaria meu dinheiro. Quando cheguei fui me sentar na entrada do meu serviço enquanto não chegava a hora de eu subir.
Nesse momento, surrealmente surgiu um picoleteiro andando tranquilamente na calçada. Nesse caso vale lembrar que a Gang fica numa rua pouco movimentada, numa zona estritamente industrial e nada favorável para esse tipo de comércio "praiano" de rua.
Eu que já tinha desistido de comer picolé, e o único doce que eu queria era o da minha pasta de dente, pensei rapidamente e concluí que eu deveria seguir com o curso natural das coisas: se o picoleteiro teve o sexto sentido de adivinhar que eu estava atrás de um picolé eu tive que comprá-lo. Grande esforço.
Quinta-feira, Junho 09, 2005
Dentro do armário
Vez em quando no meu trabalho eu preciso ir até um depósito, que aqui eles chamam de armário, pra buscar algumas coisas de reposição das lojas. O armário é um lugar de certa forma misterioso. Pra começar que o tal armário fica dentro de um auditório que fede a mofo no último nível, parece que ninguém entra lá há muitos anos (o que eu já constatei como uma inverdade). O armário então nem se fala, cada item desse armário merecia um post. Tem uma prateleira de madeira (maior que eu) que por estar prestes a desabar já foi esvaziada. Mesmo assim ela tem uma queda como a Torre de Piza e fica ao lado da chave de luz, toda vez que eu chego lá parece que ela vai desabar em mim. Tem uns manequins sem cabeça um tanto antipáticos, e como se não bastasse ainda encontro uns membros de manequins perdidos pelas prateleiras. Guarda materiais, campanhas, banners, displays de uma era passada. Pra ficar ainda mais sinistro a chave de luz desse armário frequentemente falha, demora pra acender... Enquanto a luz não acende eu fico naquele instante eterno na companhia do mofo, da umidade, da escuridão, do silêncio e de um cheiro insuportável.
Segunda-feira, Junho 06, 2005
Pânico no bosque 2
Respirei fundo e abri a porta do carro. Lá fora uma infinidade de mosquitos, uma pseudoestrada no meio do mato e um barral que tava impedindo nosso carro de sair daquela roubada. Num ato heróico e um espírito aventureiro saí em busca de qualquer objeto que pudesse tapar a escorregadia argila que se formou em nosso caminho. Depois de uns bons 40 minutos tentanto sair de frente ou de ré, decidimos abandonar o ar-condicionado e o Cold Play e enfrentar a dura empreitada. Usando todas as espécies de vegetação disponíveis eu arrancava da terra como se estivesse colhendo mandioca, a Lú resolveu que usaríamos os tapetes do carro e o forro do porta-malas. Nesse momento de desespero já não encarávamos o barro como um inimigo, mas como uma consequência. Com muita calma nessa hora conseguimos sair de lá com toda nossa sabedoria e astúcia. O pensamento positivo nos acopanhou em todos os momentos, mas confesso que em boa parte deles ele não passou de uma mera repetição das palavras "vai dar certo", quando na verdade o que eu queria dizer é "alguém me tira daqui!!". Alguém nos tirou de lá, foi a nossa astúcia e bom senso de perder as estribeiras apenas um pouquinho.. hehehhehe
Saldo:
uma comunidade de mamonas no meu cabelo.
uma comunidade de pega-pegas a barra das minhas calças.
um cartão de crédito quebrado (da Lú, que eu pisei em cima quando trocávamos de direção pra eu tentar tirar o carro)
uma ressaca curada (a minha, do dia anterior)
um conjunto de tapetes de carro sujos de barro no porta-malas.
um comunidade de mosquitos satisfeita com o banquete inusitado.
Como chegamos até lá?
Sábado de sol, dia da despedida do Fernando, que tá indo pra Londres no próximo dia 20. Como ele não nega a laia de biólogo não poderia ter escolhido lugar mais adequado: um sítio no meio do nada! E lá fomos nós, eu + Lú com as orientações do mapa elaborado pela dona do sítio:
O único problema é que quando o lugar não tem ponto de referência, começa-se a indicar coisas como lomba, taquareira ou uma parada num lugar onde é difícil imaginar que passe algum ônibus. Nesse caso é possível que boa parte dos convidados se percam no caminho. Um investimento com uma placa de sinalização não seria em vão, acreditem! O caso é que depois de nos perdermos algumas vezes, depois de descobrirmos que uma janela vermelha era na verdade marrom, encontramos a tal taquareira. O problema é que entramos no lado errado da taquareira e depois disso foi quando nossa alegria e empolgação começou a diminuir, no início achamos que seria fácil sair dali depois de todos os buracos que já tínhamos passado antes, mas com o tempo percebemos o quanto seria difícil e a cada minuto a situação se agravava mais. É necessário lembrar que o resto do dia depois desse causo lamentável, foi extremamente lucrativo, divertido e inesquecível! Deixo aqui meu agradecimento a todos que estiveram lá e em especial pro Fernando que vai deixar um desfalque muito grande depois que embarcar.
Terça-feira, Maio 31, 2005
lista (!?)
tá, eu sei que em vários blogs as pessoas postaram isso.. mas o mais legal eu escrevi no final. LEIAM TUDO!!
só mais um comentário antes de vocês entrarem no mundo de bolha de Lúcia:
Dizem que antes de morrer passa um filme na nossa cabeça de várias coisas que passamos na vida, esse bem que poderia ser esse filme, mas eu realmente não estou afim de morrer agora. (isso é mórbido, mas a morte é natural e triste. E esse não é um texto sobre morte, por isso sorria!)
há 10 anos
1. eu ganhei um patins todo colorido
2. eu ainda não menstruava
3. minha família e eu tirávamos férias em Punta Del Este e Salvador
4. chamava meu pai de rãma-rãma
há 5 anos
1. perdi minha virgindade
2. eu fazia teatro
3. eu era mais lisa, menos independente
4. tive minha primeira decepção ao ver o listão dos aprovados
há dois anos
1. Comecei a trabalhar num lugar mt afudê (Soul) que me rendeu uma amizade linda!
2. Me encantei ao ver um jardim de margaridas que eu nunca tinha visto no lugar onde eu trabalhava há um ano e meio.
3. meus pais ainda eram casados
4. Criei um blog
há um ano
1. acampei na Guarda
2. andei de wakeboard
3. ou mais que eu não me apaixono
4. matei a saudade de uma pessoa que eu não via há uns 5 anos
ontem
1. pedi demissão do meu estágio
2. tirei um dos meus tererês
3. comecei a escrever essa lista
4. duas pessoas desconhecidas me adicionaram no messenger
hoje
1. é o último dia do mês
2. vou abrir uma conta no banco
3. vim de bike pro trabalho
4. assisti os flinstones no café da manhã
amanhã eu vou
1. no tudo fácil tirar um atestado de bons antecedentes
2. tomar café na casa da Vera depois do trabalho
3. ter a aula mais legal da semana
4. receber meu salário
cinco coisas sem as quais não posso viver
1. meus amigos
2. comida
3. beijo na boca
4. natureza
5. internet
cinco coisas que eu compraria com $ 1.000
1. uma câmera fotográfica nova
2. uma cama Box pro meu quarto
3. um lap top
4. vários cd¿s e dvd¿s
5. uma viagem pro Rio
cinco maus hábitos
1. comer demais
2. ser sincera demais (às vezes isso é mau)
3. roer unha
4. andar na rua em qq horário e achar (rezar pra) que nada vai me acontecer
5. querer as coisas do meu jeito
três coisas que me assustam
1. lei da gravidade
2. filme de suspense
3. doenças
quatro das minhas bandas favoritas
1. los hermanos
2. Morcheeba
3. U2
4. Secos & Molhados
Teve uma época que antes de dormir eu sempre pensava o que tinha feito eu ganhar meu dia. Podia ser um sorriso, um olhar desconhecido, um cheiro e até uma coisa ruim como um tropeço, perder um ônibus, qualquer coisa que me fizesse sentir viva, que reagisse a química do meu corpo. Essa lista que eu fiz acima me fez pensar o quanto é difícil lembrar de coisas de 10 anos atrás, e até de um ano atrás, principalmente coisas que não foram tão memoráveis. O que normalmente lembramos são os momentos marcantes, mas são os pequenos atos, simples palavras que fazem isso acontecer. Mais difícil que isso foi perceber como os dias passam e poucas coisas se diferenciam. Quando eu falo com alguém que não vejo há tempos e rola aquela perguntinha básica: como vão as coisas? Eu costumo responder: tudo igual, mas sempre diferente. Isso por que as nossas atividades, nossa rotina geralmente é a mesma e isso nos dá estabilidade. Mesmo assim não há melhor coisa que se surpreender com uma coincidência, uma notícia de alguém distante, uma declaração, um deja vu, um reconhecimento... Esses pequenos momentos são os degraus pelos quais subimos até os momentos mais marcantes das nossas vidas. Eles que compõem aquilo que a nossa lembrança não apaga e é difícil decupar isso mais tarde de forma tão fiel. De qualquer maneira essa tal de memória tá em algum lugar das nossas cabeças e dentro de cada um de nós existe um universo maravilhoso a ser explorado.
Sexta-feira, Maio 20, 2005
70 mas não dá
Quando eu trabalhei no Monteiro, em 2002/03, eu lidava com crianças de todas as idades - da pré-escola ao ensino médio. Não conseguia diferenciar muito as idades levando em conta a aparente maturidade precoce das crianças de hoje em dia. Pra mim uma menina de dez parecia ter quinze, ou outras pareciam ter dez enquanto tinham apenas sete.
Quando eu entrei no meu trabalho atual o cara que me contratou (meu chefe) no segundo dia de trabalho me perguntou quantos anos eu tinha. Ele se surpreendeu com a resposta pois falou que tinha pensado que eu não tinha mais do que dezessete anos. Outro dia foi uma amiga dele lá, ela deve ter a idade parecida com a dele (uns 60), me olhou e comentou: ela é bem novinha, né? Quantos anos tu tens? Dezessete??
Nesse momento eu achei que eu devo mesmo ter uma cara de guriazinha, mas depois lembrei de quando eu trabalhava no Monteiro e concluí que as pessoas não tem muita noção de idades a menos que seja na faixa etária das próprias. O mérito não estava em eu parecer mais jovem, e sim em aquela madura senhora não ter a mesma noção de idades do que eu para pessoas de vinte e poucos anos.
Quarta-feira, Maio 18, 2005
É da chuva que elas gostam mais.
Lesma, caracol, escargot, chamem como queiram. Elas adoram aparecer na escada do meu prédio, às vezes elas vêem em procissão, às vezes estão só de passagem, mas uma coisa é certo: elas só aparecem em dias de chuva. Outras coisas também só aparecem em dia de chuva: cabelo rebelde, trânsito extra caótico, guarda-chuvas. Nesse verão passamos uns três meses na seca, sem ver chuva, e eu me pergunto: onde estavam as lesmas do mundo?? Não sei exatamente onde elas moram, mas acho que agora elas devem estar bem felizes de poder voltar pra rua, pois faz umas três semanas que SÓ chove.
Quarta-feira, Maio 11, 2005
Crise de identidade
Meu nome é Lúcia desde o ano que eu nasci, em 1983. Dois anos e três meses antes nasceu minha irmã, Júlia. Na família era comum as pessoas se confundirem e me chamarem de Júlia, e vice-versa. Ou também acontecia de chamarem Jú-Lúcia, ou Lú-Júlia. No colégio então, eu era a Julinha, ou Júlia mesmo. Sempre sofri mais que ela por ser mais nova. Não sofrer no sentido literário da palavra, por que era apenas uma pegação de pé e eu nunca tive por que me incomodar com isso. Depois de grande vem acontecendo algo no mínimo peculiar: as pessoas que não conhecem e nem sequer sabem que eu tenho uma irmã me chamam de Júlia por engano, e ainda se perguntam o por que de me chamarem assim, essas pegadinhas que a nossa cabeça arma pra gente. E o melhor da história é que esses dias minha irmã me contou que acontece a mesma coisa com ela.. seguido alguém chama ela de Lúcia, sem saber por que. Alguém explica?
Cedê causa indigestão
Tem coisas que acontecem que a gente não acredita, mesmo. Ontem minha mãe conseguiu a façanha de fazer o aparelho de som engolir um cd. Como?!?! Essa resposta eu deixo pra imaginação de cada um.
Depois de colocar o som na mesa de cirurgia pra fazer a lavagem estomacal e não detectar nada por ali eu perguntei:
- Mãe, tu tem certeza que colocou um cd aí?
- Mas é claro!
- Que cd que era?
- do Zeca Pagodinho.
- Putz, a indigestão vai ser pior do que eu pensei.
E no final da história, pasmem: o cd não apareceu. Tive que encaminhar pra um cirurgião especializado, por que a clínica geral aqui não pôde resolver o problema.
Segunda-feira, Maio 09, 2005
Devaneios em alguma madrugada
Alguém buzina e ninguém me liga. Tá uma leve brisa e eu tô sem sono. Desliguei o rádio e agora escuto o barulho da rua: portas abrindo e fechando, carros passando, vozes ao longe, interfones... Eu poderia espiar pela fechadura, mas prefiro olhar pelo olho mágico e depois abrir a porta. Que horas o sono disse que vinha? Tá demorando. Quem mandou eu trocar as pilhas do relógio? Agora o tic-tac quebra o silêncio. Acho que agora chega, vou desligar a luz e tentar dormir.
Quarta-feira, Abril 27, 2005
Máquina do tempo
Há tempos quando ainda namorava o Dênis (isso foi mais ou menos em 2000) num certo momento que tava sem a sua companhia, sem me dar conta comi o mesmo chiclé que ele sempre comia. Aquele cheiro, o gosto tudo fez com que eu sentisse quase a presença dele. Foi uma surpresa boa, desde então toda vez que eu queria lembrar (muito!) do Dênis ou por simples vontade de perpetuar aquilo, eu comia o mesmo chiclé. Quando chegava em algum balcão naquela infinidade de cores e sabores eu sempre optava por aquele que eu tinha alguma afinidade, que me traria mais que uma mascada e um gostinho. Depois de um tempo o produto saiu de linha... Nunca mais achei. Me surpreendi quando fui à uma loja de conveniência esses dias e encontrei aquele ressuscitado chiclé. Nem pensei duas vezes: fui direto ao ato! A lembrança não foi tão forte, talvez pelos cinco anos que nos separam, ou talvez por que desde a época que nos separamos raríssimas foram as vezes que vi o Dênis de novo. Mesmo assim fiquei feliz de poder reviver um gostinho, um cheirinho, um momento que foi tão legal na minha vida!
Quarta-feira, Abril 20, 2005
Soltando o verbo
Quando eu era pequena me reunia quase todos os dias com meus amigos no prédio que morava, geralmente eu saia do colégio no fim da tarde e ficava lá até a noite. As mães ficavam sempre na sala tomando chimarrão e conversando, enquanto a criançada corria, gritava e pulava pelos apartamentos e pelo pátio do prédio. Minha mãe dizia: "Vamos dar uma passadinha na Beth pra conversar". No fundo eu não entendia bem o que é que elas tanto conversavam, pensava: "que coisa mais sem graça, elas ficam conversando horas. Se soubessem como é bem mais divertido brincar!!"
Quando eu era adolescente, certa vez fui passar a tarde na casa de uma amiga, compramos um saco de bombons e passamos horas ouvindo música, conversando sobre nossas paixões platônicas e escrevendo nos diários. Nesse dia quando cheguei em casa minha mãe perguntou o que ficamos fazendo na tarde, e tal.. mais que automático respondi:"ficamos conversando".
Acho que nesse dia comecei a compreender uma coisa. Hoje em dia, conversar é algo que eu amo praticar! Falo pelos cotovelos, converso abobrinhas, converso papo-cabeça, converso com quem não tem nada na cabeça, converso com quem tem coisas demais, converso comigo mesma e converso até com quem eu não conheço. É mais que uma prática é uma forma de convivência, e até o que eu escolhi pra estudar e ter como profissão. O mais legal é a diversidade das pessoas... Saber que cada ser é um universo e que sempre terão muitas idéias a serem trocadas e acrescentadas. ;)
Segunda-feira, Abril 18, 2005
(vi)ver
O que se esconde atrás de um olho que brilha, ou o que não somos capazes de desvendar... É aquilo que a química revela, que nos faz simplesmente sentir. O que é difícil de explicar e tão gostoso de passar. Um momento que parece eterno, mas em questão de segundos já virou passado. São nossos olhos da imaginação, que podem nos tapear ou nos guiar. É uma intuição que podemos confiar, é dar asas a um sentimento. Deixar a vida fluir e as famosas engrenagens do universo se encaixar.
Terça-feira, Abril 05, 2005
Velho novo hóspede
Hoje a rinite bateu aqui em casa e disse que chegou pra ficar pelo menos até o inverno. Sem muitas novidades ela conta que deu uma banda no verão por uma praia que não foi o Rosa, mas que trouxe lembranças: no mínimo vinte espirros por dia. Saúde! Numa segunda-feira fora da rotina eu só peço que ela não me atrapalhe nas minhas entrevistas de trabalho, e também me esqueça enquanto eu estiver na aula. O outono que mandou ela voltar lá pra casa, com um dia de sol, céu limpo e uma brisa fresquinha... Aos poucos mais uma época vai se caracterizando, com seus cheiros, seus sons. Novas aspirações e inspirações, novas cores e amores, e a velha rinite.
Segunda-feira, Março 28, 2005
Lucy in the sky with diamonds
Quase que inexplicavelmente consegui misturar todos os sentimentos que poderiam estar presentes dentro de mim. Nesse momento senti com todo brilho, intensidade e volume a verdade entre chorar de tanto rir e rir de tanto chorar. Foi um tsunami que invadiu meu corpo, que não me deixou controlar o rio de lágrimas que saiam dos meus olhos sem cessar. Um breve momento que se eternizou, e parecia que a chuva que caia vinha da energia conectada em mim. Poderia ser um sonho lúcido, uma jornada até as estrelas, uma guerra de emoções, um aprendizado extraterreno. Mas isso foi só o começo.
Sexta-feira, Março 18, 2005
Um dia o Rosa me abraçou
Poucas coisas foram mais belas que assistir a um amanhecer cor de rosa. Enquanto muitos acordavam pra trabalhar,enquanto muitos não dormiram por insônia ou por noitadas, lá estava eu mais alguns amigos descendo o morro do rosa norte correndo, gritando, rumo a um show de alaranjados, azulados e amarelados. E ao sentar na areia fofa e gelada sem preocupação de virar um croquete ou comer areia, completamente hipnotizada pelo show da natureza, vendo as gaivotas brincarem contra o vento, o mar brilhar de encontro ao sol e os solitários pescadores de mais um amanhecer. E se todo mundo soubesse que essa beleza extraordinária acontece todos os dias e nasce pra nos trazer forte energia não haveriam tantos mau-humores e tanta amargura. (...) "Um dia o Rosa me abraçou, o verde se mexia através das árvores, o azul se mexia através das ondas e o amarelo se mexia através do sol."
Domingo, Março 06, 2005
A volta
Sei que no final dessa temporada tive muitas coisas que me
acrescentaram, mais momentos inesquecíveis no meu caderninho de lembranças,
experiências que me fizeram amadurecer, e o principal e mais importante pra
mim: pessoas que conheci que ficarão pra sempre guardadas num lugar very
especial. O legal dessas experiências é que há uma troca de energias,
aprendizados, idéias e sentimentos, e eu absorvi tudo que era bom,
consegui lidar com o que era ruim, e pude entregar e trocar muitas coisas
positivas. A intimidade, o convívio, cumplicidade, o desapego...
aprendizados que se somaram na minha jornada. E no final tem despedida, mas não
tristeza. Tem saudade, mas não desespero. Plantei uma semente em mim
mesma, e ao longo dos próximos anos vou estar plantando mais e colhendo
os frutos desse verão, que foi curto, mas foi bom demais!
Quinta-feira, Dezembro 16, 2004
Quando o sol se põe
Essa coisa de despedida é algo mesmo complicado. Às vezes ficamos mais de mês sem ver grandes amigos que moram ao nosso lado e mesmo assim não fazemos grande cerimônia de despedida na última vez que os vimos. Uns que vão pra ficar anos voltam antes, uns que vão pra voltar logo acabam ficando mais. A minha ida tem volta certa, minha faculdade volta e eu voltarei com ela. A distância é física, mas mentalmente estarei presente nas vidas de todos, a cada lembrança, em cada alô, em cada encontro casual. Um tchau, um adeus, um até logo pra todos.
Quinta-feira, Dezembro 02, 2004
Verde-que-te-quero-ver
Sempre fui contra o ato de arrancar folhas, flores e qualquer parte de algum vegetal. A gente passa na rua e por não ter nada nas mãos e ansiedade na cabeça puxa o galho e traz tudo pro chão. Arranca uma flor pra brincar de bem-me-quer, uma folha pra dobrar em mil pedaços. Sempre condenei quem fez isso com a pergunta: pra que fazer isso? Não te acrescentou em nada e só destruiu algo que não precisa ser destruído, que é aquilo que enche os olhos numa rua arborizada. No meio de tanta poluição visual, o verde e o natural colorido das árvores me alivia. Ontem visitei um amigo e ele me deu uma flor que disse ter pego na rua quando pensou em mim. A frase foi a mesma, a resposta foi: eu só antecipei aquilo que aconteceria naturalmente. Ok, já que a flor já estava longe de onde devia trouxe ela pro meu trabalho e a coloquei na água, pra ver se conseguia salvar pelo menos mais um pouco. Hoje de manhã quando cheguei ela estava murchamente encolhida e é claro, sem vida. Que pena, bem que eu gostaria da companhia dela somente por mais um dia.. :)
Quarta-feira, Novembro 24, 2004
Coisas mundanas de um futebol provinciano
Tinha uma época em que eu jogava futebol no colégio, via jogo até de várzea na tv, e sofria de verdade com jogos do grêmio na libertadores e copa do brasil. Depois me desliguei total desse assunto e hoje tenho uma opinião a respeito de futebol que não vem ao caso expor aqui. Era lindo de ver, Paulo Nunes cruzando pro Jardel no segundo pau. Incrível, mas eu saberia ditar toda a escalação do grêmio naquela época (sem colar foram esses que eu lembrei - Danrlei, Adílson, Roger, Dinho, Goiano, Arílson, Paulo Nunes, Jardel) eu sei que isso não é mérito, mas eu me sentia realmente afetada com isso. Bem, na época que o Grêmio jogou contra o Ajax em Tokio me lembro de inúmeras vezes discutir com colorados e jogar na cara deles que quem não tem time tem mais é que torcer pro Ajax. Mas o mundo dá voltas e os times brasileiros sofrem pela falta de investimento e má administração dos clubes. Hoje entrei no messenger e tava lá o no nome do Rafa: "QUEM NÃO TEM TIME TEM QUE TORCER PRO BOCA MESMO". É Rafa, o mundo dá voltas e acho que nenhum gremista se ofenderia ao ouvir isso, visto que num passado, não tão distante, de glórias se usava muito esse argumento para discutir futebol na eterna disputa entre Grêmio e Inter. Se o Inter perder os colorados vão continuar dizendo que é melhor perder pro Boca que cair pra segundona. Sem choro nem vela, quem foi rei nunca perde a majestade e o mundo dá muitas voltas, se dá.
Terça-feira, Novembro 23, 2004
Infantil Idade
O Márcio diz que às vezes gostaria de voltar a ser criança. Pois eu não sei o que acontece, se é amadurecimento, regressão, crise dos 21, inferno astral ou pura, mas pura infantilidade. Ultimamente tenho reparado coisas em mim que me fazem lembrar de quando eu tinha menos idade. Quando tô cansada choro por qualquer coisa, quando não fazem as minhas vontades fico de beiço, tenho muita vontade de ficar em casa de tarde vendo sessão desenho, e como se não bastasse hoje de manhã enquanto tomava café da manhã eu tava assistindo teletubbies.
A beleza de ser uma eterna aprendiz
Ontem perto do meio dia a Carol começou a me questionar sobre coisas que eu acredito (isso é que é trabalho!), e me senti muito desprevenida, pois várias coisas eu não pude responder simplesmente por não ter respostas. Fui pra casa caminhando e olhando pro chão, por que minha cabeça começou a dar tantas voltas que se voltou contra mim. Quando cheguei em casa me deitei e pensei que só conseguiuria fugir daquela loucura que me tomou se eu dormisse. Assim foi.. quando acordei pra almoçar o mundo estava normal, as pessoas voltaram a ser legais, as coisas voltaram a fazer sentido. Não sei o que é sanidade, mas esse surto que tive só me mostrou que louco é quem me diz que não é feliz.
Terça-feira, Novembro 02, 2004
É tempo de verão
No meu quarto tem um relógio de parede. Raramente eu vejo as horas nele, por que não tem números e os ponteiros são meio tortos. É realmente muito confuso ver as horas nele, principalmente naqueles momentos quando tu recém acordou e não raciocina direito. Tem também um outro motivo que agrava a leitura das horas no meu relógio: desde que ele se conhece por gente está no horário de verão. Ou seja, acordar bêbada ou louca de sono, olhar um relógio sem números e com ponteiros desviados e ainda ter que pensar se horário de verão é uma hora a mais ou menos, e fazer a conta!! Engraçado é que sempre tem uns relógios em casa que a gente muda pro horário de verão e assim eles ficam pra sempre, mesmo que o horário de verão dure bem menos que o horário normal. :)
Sexta-feira, Outubro 29, 2004
Habilidades
Sempre ouvi falar que devemos exercitar a mão contrária àquela que usamos para a maioria das coisas, que isso explora áreas inutilizadas do cérebro, essas coisas.. Tudo que se faz com a mão direita deveria se fazer também com a esquerda.
A torneira de água fria da pia do meu banheiro fica do lado direito, e já tava acostumada até pra que lado eu tinha que abrir e fechar ela com a mão esquerda quando tava escovando os dentes. Esses dias a torneira de água fria emperrou. Aos poucos fui me acostumando em abrir a torneira de água quente (do lado esquerdo), com a mão esquerda. Inclusive já sei o tempo que leva até a água esquentar... é exatamente o tempo que eu levo pra lavar o rosto e escovar os dentes. Agora que minha torneira foi consertada continuo usando a de água quente, acho que me apeguei a ela. E até acho que as habilidades da minha mão esquerda estão mais afloradas. Ainda agora tava usando a mão direita pra segurar a pesada cabeça de um ser com muito sono e manipulando o mouse perfeitamente com a mão esquerda. Legal essa experiência de mão contrária. :)
Sexta-feira, Outubro 22, 2004
Portas da Esperança
Sabe que as portas têm uma identidade. Elas podem não falar, mas emitem sons muito peculiares. A porta da minha casa quando recebe a chave emite um som macio, a porta da agencia tem um som baixo, a porta da sala dos donos aqui da agência tem um som de vidro, até o lance de metal que faz com que a porta do meu quarto não bata tem um som inconfundível. O ruído muda conforme a maneira que se manipulam as portas, mas a identidade do som continua sempre a mesma. Eu poderia estar de olhos tapados e saberia perfeitamente reconhecer esses e outros sons que me cercam.. principalmente o das portas que se abrem e se fecham diversas vezes na nossa vida.
Quarta-feira, Outubro 20, 2004
Recibo
Eu não costumo guardar notas fiscais. A menos aquelas de produtos de maior valor que poderão ser repassados futuramente. Não sei se por preguiça, por pressa ou por insignificância toda vez que recebo uma nota coloco junto com o dinheiro na carteira. Mas não é por gosto, na verdade toda vez que eu faço isso penso que não gostaria de estar acumulando lixo junto do meu suado dinheirinho. O que me irrita é que as operadoras de caixa sempre colocam a nota em baixo do troco que eu automaticamente coloco na carteira. E como eu odeio ficar trancando as filas de caixa e também acho uma falta de consideração abandonar a nota em cima do próprio balcão, acabo deixando ali mesmo entre as notas de 1 real e.. "deixa que depois eu tiro".
Quinta-feira, Outubro 14, 2004
(...)
Sei que as coisas acontecem assim, como uma bolda de neve. Eu faço isso por que tu me fez aquilo antes. E assim sucessivamente. E por que que eu vou dar o braço a torcer se nunca ninguém deu? Porque é difícil dar a cara pra bater, por que os poucos que fizeram isso são lembrados até hoje.
O mundo precisa de paz. Mas a paz não é gratuita. Ela é o fruto de uma cadeia de atitudes. Desejamos paz e não agimos para isso. E é difícil!
Quarta-feira, Outubro 13, 2004
Responda se for capaz:
My Friendtest
Quinta-feira, Setembro 30, 2004
Que delícia!!
Já imaginou se bolas de sorvete de flocos dessem em árvore??
Segunda-feira, Setembro 27, 2004
Teto branco
O único espaço branco que sobrava no meu quarto era o teto.
Isso começou a martelar umas idéias na minha cabeça. Muitas foram as cogitações a respeito. Hoje ela se definiu. Frases que fazem sentido pra mim, algumas que são valores, outras que são poéticas. O melhor de tudo foi saber que ficar numa escada, olhando pra cima e de repente, não mais que de repente, me desequilibrar eu tenho o teto pra me apoiar. O mesmo que te segurar no chão pra não cair de bunda é se segurar no teto pra não se esborrachar de um metro e meio de altura.
É olhar pro lado e enxergar a lâmpada que ilumina o meu quarto, olhar pra baixo e ver a garagem do prédio vizinho num ângulo que geralmente a minha janela não permitiria, ver os objetos que compõe o meu cantinho num ponto de vista diferente, é subir na cama e ficar na ponta do pé, é subir na mesa do computador com medo que ela quebre. É saber que toda vez que eu me deitar na cama vou poder ler palavras que me fazem pensar sobre a existência e não me deixam parada nesse mundo em movimento.
"Não há maior evidência de insanidade doque fazer a mesma coisa todos os dias e esperar resultados diferentes..." Albert Einstein
Terça-feira, Setembro 21, 2004
Seres mutantes
A Mari sempre me diz que ela é uma metamorfose ambulante. Como esse termo não é de autoria dela, posso dizer que todos temos uma pulga atrás da orelha que nos faz mudar pelo menos uma vez na vida.
Estreitando um pouco esse pensamento pude ver que no último mês eu fui altamente metamórfica.
(...) Troquei de xampu, parei de fumar, troquei de estágio, larguei o sedentarismo, voltei a tomar anticoncepcional, parei de pentear meu cabelo. (...)
Vai ver é por isso que tenho many afinidades com essa loca.
Sexta-feira, Setembro 17, 2004
Bom Feriado!
Que o SOL ilumine tudo e a todos.
Sexta-feira, Setembro 10, 2004
Brincando de afinar
Me perdi num universo de acordes. De tanto me perder não percebo quando sou contemplada com o som harmônico. Me concentro na minha busca de ré, e lá o Sol não tem dó. Sustenido tom menor, sibemol na décima casa. Saí fora da casa. Mi lá, mi lá, mi lá. Mi lá ré, mi lá ré, mi lá ré. Mi lá ré sol, mi lá ré sol, mi lá ré sol pá (pá??). Isso, estourou a corda. Me senti como quando eu perdi meu primeiro dente, nas devidas proporções, até por que eu não sei se me lembro direito como eu me senti quando isso aconteceu. Ele é meu primeiro violão, é meu xodó, não tem um ano de idade e perdeu a primeira corda. "Outras cordas virão, filho, não precisa chorar." Tudo graças à minha mania de brincar de afinar.
Quarta-feira, Setembro 08, 2004
Ela é uma figura.
Me carregou pra academia mas me faz comer muitos doces durante a tarde.
Me fez chorar de tanto rir quando usou umas calças improvisadas que mais pareciam uma bombacha mas me fez pagar maior mico quando tentou fazer "meus lados" com um 'amigo' meu que coincidentemente é nosso cliente.
Se diverte com as minhas histórias mas coloca meu pé no chão.
Me deu a oportunidade de ter um salário mas não pode ver uma loja de roupa que me arrasta junto.
Ela é minha chefe, e esse foi um pedaço das nossas duas semanas de convivência.
Já deu pra sentir o que me espera..
Quarta-feira, Setembro 01, 2004
De noite na cama
Minha cama se compõe da seguinte maneira: um lençol, um cobertor, um edredon e nos dias de mais frio outro cobertor por cima. Não sei o que acontece. Fazia duas semanas (ou mais) que eu acordava com o lençol no canto da cama e coberta diretamente com o cobertor, o que me deixava muito irritada, por que o lençol é lisinho e o cobertor pinica. Tentei trocar de lençol, trocar de pijama, quase troquei de cama. Mas o diabo do lençol teimava em ir pro canto da cama! Hoje amanheci com ele bem direitinho. O que me fez pensar.. seria o meu estado de espírito, a movimentação noturna, ou um fantasma que vinha literalmente puxar meu lençol??
Quarta-feira, Agosto 25, 2004
O Quiabo Comunista
Tem um livro que mora no meu banheiro. Ahã, sabe aquelas leituras sanitárias? Esse mesmo. Ele existe há muito mais tempo que eu e certamente estava parado ali há muito mais tempo que quando eu resolvi lê-lo. O título não me pareceu nada instigante: "O Quiabo Comunista". Mas tem momentos que a gente lê até rótulo de pasta de dente, então comecei a folhear ele como quem nada queria.. Me deparei com um livro de crônicas e não uma história como eu imaginava. É melhor, assim tu lê sem compromisso de ter que lembrar do que leu na última vez, nem ter que seguir uma ordem cronológica. Enfim, o livro se trata de um jornalista dos anos 70 que conta histórias envolvendo a política da época, acontecimentos internacionais e polêmicas gerais. O cara conta as histórias abusando da sátira e da ironia. A começar pela capa do livro que mostra uma espécie de story board de um quiabo verde que ao longo de seis quadrinhos vai amadurecendo e quando se torna vermelho e maduro é espetado por um garfo. Esses dias comentei com a minha irmã que é devoradora de livros se ela já tinha lido o tal do quiabo. Ela respondeu com toda a sua delicadeza característica: "Esse livro é uma viagem!". É uma viagem, mas eu adorei.. hehehe.. Quando der coloco uma palhinha aqui.
Quinta-feira, Agosto 19, 2004
Dormir é bom!
Acordei cinco minutos antes do despertador tocar. Isso é bom sinal, talvez não seja tão sacrificante sair da cama hoje. Minha cama fica ao lado da janela e durmo com a persiana semi-aberta pra que a luz possa me dar 'bom dia'. Hoje quem me deu bom dia foi a chuva. Coloco meu despertador a tocar uns 40 minutos antes do meu horário. Isso significa que ele toca umas 4 ou 5 vezes antes de eu levantar. Não é tortura. É prazer. Prazer em olhar pro celular, apertar o botão e fechar os olhos novamente. Me encolho na cama bem perto da parede que esconde a luz da rua, e ao som da orquestra sinfônica de São Pedro meus olhos descansam outra vez. Eu só penso em como é bom dormir mais um pouco, ficar encerando a minha cama macia e me enroscar mais uma vez nas minhas cobertas.
Sexta-feira, Agosto 13, 2004
Baratas: não quero ver nem suas patas.
E dizem que seres humanos possuem um sexto sentido. Acredito que sim, mas talvez as baratas também tenham. Enquanto passava na frente de uma padaria pensava que os vizinhos de padarias têm vantagens por comprar o pão mais fresquinho mas ao mesmo tempo são alvos do ataque de insetos (geralmente feios e asquerosos) atraídos pelo açúcar, e restos de comida. Não é que ao dobrar a esquina me deparei com a própria.. travei o ritmo da caminhada por levar um susto (até parece que adivinhou que eu tava pensando nela). Ela também parou, como se a gente fosse esbarrar uma na outra. Fui pro lado que julguei contrário ao caminho dela. Não é que a medonha foi pro mesmo lado também? Nunca pensei em interagir com uma barata, mas até que essa me pareceu educada.
Quarta-feira, Agosto 11, 2004
Causos II
- Juluí Express, Boa tarde.
- Boa tarde, vocês utilizam FreeHand*?
- Pure hemp?
- Não, F-r-e-e-H-a-n-d.
- Só um minuto.
(chama outro vendedor)
- Pois não amigo.
- É amiga.
- Ah ehehhee, desculpa.
- Nada..
- Posso ajudar?
- Sim, vocês utilizam FreeHand?
- Ahhhh.. ela pensou que fosse o papel, Pure hemp.
- Ah.. hehe.. pois é, quem não trabalha com Pure Hemp somos nós.
hohihohoho.. (risadas generalizadas)
O que você acha que está acontecendo?
a) As pessoas estão cada vez mais surdas
b) Eu estou com péssima dicção.
c) As pessoas estão mais desatentas.
d) As linhas telefônicas têm péssima qualidade.
*FreeHand: software gráfico
Segunda-feira, Agosto 09, 2004
Causos
- Z-Mídia Boa tarde!
- Boa tarde, eu gostaria de orçar a colocação de dois frontlights no trecho Canoas-NH.
- Ah sim, como é o nome da empresa?
- Fihl Alimentos
- Ok
- Na verdade eu trabalho na agência de propaganda da Fihl
- Ah ok, só um minuto vou lhe passar para o departamento de agências.
(...)
- Pois não?
- Boa tarde, eu gostaria de orçar a colocação de dois frontlights no trecho Canoas-NH.
- Qual é a agência?
- Soul
- Você?
- Não, Soul a agência
- Você é a agência?
- Não, Soul: éssi ó u éli
- Me desculpa.
- Não foi nada..
Sexta-feira, Agosto 06, 2004
TragiComédias da vida privada*
O casal tem pouco tempo de vida compartilhada. O reino da intimidade ainda não tem o monopólio. Sabe como é, ela diz que pode ser o lugar que ele escolher, ele diz que aceita sugestões. Mas o fato é que estavam de acordo em ir a um local reservado, curtir um céu espelhado e a mútua troca de fluídos e afagos. Chegando no local indicado por um amigo dele eis que não aparenta ser de boa índole, e ao entrar no quarto percebem que além de boa índole eles também não tinham boa higiene. A decisão de buscar um estabelecimento mais excitante e menos broxante foi instantânea. Na próxima parada (agora a indicação era de uma amiga dela) - Status: Ocupado. 30 minutos na fila de espera. Quando estavam prestes a curtir tudo aquilo que um jogo de luzes, champanhe e espelhos podem nos proporcionar entre quatro paredes: falta luz! Mais uns 15 minutos de espera, até que tudo se resolva. (...) Nada como ser um jovem casal. (...) Ainda bem que tudo tem uma recompensa... SÓ LOVE.
* Baseada em fatos verídicos; Os nomes foram preservados por solicitação dos mesmos.
Quinta-feira, Agosto 05, 2004
Em Gramado
Lá pelas tantas tava voltando da casa de uns amigos por volta das 5 da manhã. No meio de um silêncio gelado alguém "me diz o que é o sossego que eu te mostro alguém afim de te acompanhar". Olho pro lado e através do vidro embaciado vejo uma lebre saltitante de um lado a outro até se esconder no meio das árvores. Me alegra a doce surpresa e o ineditismo do momento.
Segunda-feira, Agosto 02, 2004
Segunda-feira
Agravantes de uma segunda-feira naturalmente marcha lenta: interrupção de sono antes do nascer do sol, rinite e rouquidão acentuada devido à baixas temperaturas e demais fatores climáticos enfrentados, audição alterada visto que descer a serra e continuar na serração é o mesmo que coninuar descendo, sistema digestivo exausto em virtude das orgias alimentares, e pra finalizar: volta às aulas da faculdade. Cansaço por direito e também por antecipação. Tenham todos uma boa semana!
Quarta-feira, Julho 28, 2004
Surpresas
Outro dia piscou uma janela no canto direito do meu micro dizendo: "Como é bom beijar quem a gente gosta, né?" Um frio me correu dos pés à cabeça. Parece que tudo parou por um segundo, os orçamentos foram pro espaço, os telefones todos fora do gancho e um suspiro pra que tudo volte ao normal! (hhffff)
(...)
Hoje piscou outra janela dizendo: "Tu costuma ler reportagens de trás pra frente?"
Geralmente isso acontece. A começar pelo título, os olhos correm diante das milhares de letras até que uma palavra chama atenção. Ali é o ponto de partida. Se o parágrafo é bom, lê até o fim, e depois começa a ler do início. Engraçado e curioso.
(...)
Ontem me perguntaram se eu já havia aparecido na televisão por causa da minha rinite. Muito inusitado, mas isso nunca aconteceu. Nem ele e nem eu saberíamos calcular a probabilidade disso acontecer naquele momento, mas ela existe.
É legal ser surpreendida. :)
Segunda-feira, Julho 26, 2004
Seleção Brasileira
41 minutos da etapa complementar: "Que será que tá passando na MTV?"
Ainda bem que a esperança só morre depois do apito final.
País campeão: campeão da Copa América, campeão da desigualdade social.
Mas até que os pênaltis me ajudaram a espantar um pouco o frio.
Na noite
Ele estava com sede de vingança, saiu em sua moto ensandecido. O vento gelado rasga a pele e estilhaça as lágrimas incessantes. É um sentimento que ferve, é forte, cresce, domina.
Ela é fria, poderosa, discreta, está em ponto de bala. Está em suas mãos. Está protegida, mas não vai proteger.
Na rua Casemiro de Abreu ele dispara - PÁ PÁ PÁ - e em seguida descarrega o resto de sua munição: PÁ PÁ PÁ PÁ PÁ PÁ PÁ.
A causa: desconhecida.
Conseqüência: o desespero.
Quarta-feira, Julho 21, 2004
Gosto não se discute
Minha mãe sempre diz: "o nosso paladar muda com o passar dos anos".
É verdade, mãe!
Ontem fui preparar uns sanduíches pra economizar os rios de dinheiro que eu gasto com almoço todos os dias e quando vi estava frente à geladeira escolhendo uns tomates pra acrescentar no meu recheado*. Adoro catchup, com o tomate nunca fui muito simpática. Onde já se viu? Sempre peço xis sem ervilha e sem tomate. É mãe, realmente acho que não só cresci como meu paladar se tornou muito mais abrangente, deixando de lado aquela guria chata que sempre dizia que não gostava das coisas sem ter experimentado. De qualquer forma a ervilha ainda não é bem-vinda. Ela é muito verde, tem que amadurecer no meu paladar.
* Segundo o Rivo, lá em Rio Grande se usa um português tão correto que eles chamam sanduíche, um estrangeirismo vindo do inglês, de recheado, uma adaptação correta ao português.
Terça-feira, Julho 20, 2004
Dia do amigo
No último domingo encontrei dois amigos que não via há mais ou menos uns 14 anos. Já brincamos de escondê no shopping, já brincamos de pega ladrão em meio à av. ganzo e bastian, já imitamos guns' roses, já contamos histórias horripilantes, já brincamos de túnel do terror, já fizemos olimpíadas, e muitas outras coisas que se perderam na memória.
Que bom saber que mesmo com o tempo as pessoas mantêm a essência que traz magia, e sempre podemos encontrar num jeito tímido, num olhar e numa gargalhada um elo com a nossa infância.
Para todos os meus amigos próximos ou distantes, de longa data ou passageiros, desejo um FELIZ DIA DO AMIGO.
Quarta-feira, Julho 14, 2004
UMIDADE: estado atmosférico determinado pela quantidade de vapor d'água contido no ar. (muito diga-se de passagem)
Quem não viu as paredes chorarem hoje ou dormiu o dia inteiro, ou não mora em Porto Alegre. Alguém 'exprica o femônemo metorológico'? Alguém explica. Eu apenas assisto ao espetáculo de forma inquieta, pois descobri que no meu prédio tem goteira, e ainda bem que pelo menos no meu apartamento a água não passou pelas paredes. O dia começou com um bafo, que deixou todos grudentos; e terminou com a chuva que deixou muitos molhados. O cheiro de mofo, carpete molhado e T7 com ar condicionado desligado dominaram o dia. Amanhã quero sol. Eu falei sol, e não calor.
Sexta-feira, Julho 09, 2004
GO PLAY!
Quarta-feira, Julho 07, 2004
Segunda-feira, 18:49, avenida farrapos, porto alegre.
6 minutos atrasada pra um compromisso importante.
Num impulso intuitivo nada confiável eu desço do ônibus na parada errada.
Sem saber pra que lado ir começo a abordar as pessoas na rua a perguntar pra que lado fica a maldita.
Primeiro candidato: "bah.. não sei.."
Segunda candidata: olha para os lados assustada e diz "não sei"
Terceiro candidato: "Olha, sabê eu sei, mas não lembro"
(oh my god! - em meio a suor, correria.. eu não desisto)
Quarto candidato: "Bah, não sei, mas aqui nessa revenda eles devem saber te informar"
(lá vou eu)
Vendedora 1: (status: ao telefone)
Vendedora 2: "Não sei te dizer, mas meus colegas ali devem saber"
Vendedores: se entreolham.. "não sei"
(só pode ser um complô)
Saio na rua feito uma barata tonta e sigo correndo..
Na esquina seguinte uma moça loira de costas, eu chego até ela, quando ela se vira o decote quase me engole e eu penso: "Poutz, em plena farrapos vou pedir informação pra uma prostituta. Bom, foda-se, nessa altura do campeonato!"
Puta: "Acho que é a próxima"
Bom, como ela não foi muito convicta sigo correndo e que diabos de rua que ninguém sabe onde fica, nem mesmo uma senhorita que bate ponto nas esquinas..
Quase passei batido pela rua seguinte, pois nem placa tinha. Resolvi olhar pra trás e ver se não havia placa na casa da esquina e lá estava! Já quase 15 minutos atrasada, vou correndo agora pela rua certa, rumo ao meu compromisso. Minha panturrilha tá doendo até agora de tanto correr de salto alto.
Revelações:
Bolacha de água & sal possui um ingrediente secreto: uma substância viciante.
Observe o seguinte: mesmo com a boca seca, muitos farelos, e gosto de (quase) nada quem consegue comer uma só?
APRENDI A JOGAR TRUCO. Isso inclui: a arte de blefar, a arte de conhecer novos baralhos, a arte da malndragem, enfim, a incrível arte da JOGATINA.
Terça-feira, Junho 29, 2004
TÔ EM CIMA DO MURO!!
A princípio eu gostaria de descer.
Acho que é pra subir no próximo.
Preciso descer... urgente!
E que venha o próximo muro.
ai...
Terça-feira, Junho 22, 2004
Perda
Nunca havia perdido alguém tão próximo. Muitos amigos já se distanciaram, algumas paixões me deixaram, mas perder alguém e não saber onde a pessoa foi parar eh algo que eu não havia experimentado antes da semana passada. Não sigo religião alguma, pois todas que tentei saber algo mais me decepcionaram de alguma maneira. Sempre achei que a fé é que é importante. Seja em Cristo, Buda, Maomé ou numa pedra. Tenho fé em mim, tenho fé em algumas pessoas que eu sinto potencial, tenho fé na bondade, e na natureza. Mas a minha fé não foi suficiente pra me confortar no momento da morte do meu vô. Simplesmente por não saber em que lugar ele está agora! Eu não quero que me digam que ele está no céu. Quero ir até lá, conhecer e depois voltar, e que pra isso eu não precise morrer. Que seja uma ida com volta.
Minha perspectiva de vida mudou. Sinto enxergar a rotina com outros olhos, com outra sensação. Pela primeira vez eu fui do trabalho pra aula sem o fone nos ouvidos, ouvindo o barulho dos ônibus, as conversas, os burburinhos, barulhos de sacolas e até o silêncio.
Sem dúvida meu corpo liberou substâncias jamais liberadas antes em mim. O choque, a assimilação da falta, a saudade, a lembrança, tudo isso causou uma pane no sistema aqui. Será que meu vô vai aparecer atrás da porta do meu quarto? Ou será que ele vai entrar no meu sonho pra me dizer alguma coisa? Quando tô sozinha ou quando deito a cabeça no travesseiro vou longe nesses pensamentos. Domingo almocei no meu tio, e lá pelas tantas ele disse: "vai ali na vó e pega uns guardanapos pra nós". Atravessei a rua e como não pensar, ao colocar a chave na fechadura que meu vô ia estar ali, sentado na poltrona dele, como sempre com o controle remoto na mão. Não quis ficar muito pra não provocar meu inconsciente, peguei os guardanapos e saí rapidinho. Meu vô se foi, mas tá mais presente do que nunca na minha vida, na minha rotina, por que a assimilação mesmo demora. Penso muito.. mais do que antes, por que agora tenho que me habituar em não ter mais meu véio, e sua barriga pra eu abraçar! Minha vida e minhas reflexões.. ai ai.. (suspiros)
Quarta-feira, Junho 16, 2004
Papinhos de elevador em janeiro:
"- Calorão né?
- Ahãm, insuportável.
- Parece que amanhã vai chover.
- É, tomara. Pelo menos refresca um pouco."
Papinhos de elevador em junho:
"- Bah, o que é esse frio, heim?
- Horrível, né?
- E no fim de semana parece que vai ser pior.
- Vamos virar pingüim.
- Ahã."
Amo o verão tanto quanto o inverno. Vamos parar de reclamar e curtir o que cada estação tem de bom a oferecer.
Sexta-feira, Junho 11, 2004
"e no sétimo dia a criação descansa. O homem ganha o livre-arbítrio. Ele nasceu puro. Foi violentado pela malícia, egoísmo, indiferença, cobiça, cinismo, vaidade a ponto de não mais encontrar o rumo da sua essência. (...) Mas no sétimo dia ele tem uma escolha: ele pode lavar a cara e agir pelo pulso do coração - mas ele é fraco - e é mais fácil vestir a máscara. E por que, afinal, ele veste a máscara? Ele faz isso por que está mal acostumado; Isso é tudo que ele conhece. Ele faz isso por que na verdade ele não tem escolha."
. : Criação do Mundo : .
Terça-feira, Junho 08, 2004
Uma passada no Centro de Porto Alegre. Uma simples passada, correndo e um filme passa na minha frente: São TODAS as pessoas com pressa. E as que não têm pressa são embaladas por aquelas que têm. Uma simples parada pra olhar uma vitrine pode se transformar em pessoas esbarrando umas nas outras como num jogo de dominó desmoronando. O Centro tem ritmo e os tumultos são rotineiros. Ao mesmo tempo que eu caminho apressada, uma roda de curiosos se forma na volta de um homem que foi ATROPELADO, remédio pra verme é vendido por um senhor que mais parece o PRÓPRIO VERME, uma criança chora sendo puxada - quase ARRASTADA - pela mãe impaciente, bagas de cigarro são recolhidas por mendigos que falam seu próprio DIALETO, executivos aplicam suas lábias nos milhares de escritórios que se ESCONDEM nesse labirinto urbano, a freguesia é acirradamente disputada pelos CAMELÔS, uma menina vai 'CORTÁ CABELÔ', e outra tem uma 'FÁBRICA DE CALCINHAS'. São os rumos de um Centro, que não é bem centralizado. Os caminhos que quase todo mundo tem que fazer, nem que seja uma vez que outra. A trajetória que ninguém que deseja tranquilidade merece. Deixo o meu agradecimento ao inventor do walkman. :)
Pare pra pensar:
vocês vieram pra cá para "ser" e não para "ter humano". (Alessandro Pantera)
Já ouvi dizer que a felicidade tá dentro de nós. Já ouvi dizer que é impossível ser feliz sozinho.
Eu sou feliz, mesmo estando triste às vezes.
Sou feliz mesmo chorando por me sentir angustiada.
Ou por me sentir carente.
Me sentindo perdida frente a um turbilhão de coisas deste mundo.
Mesmo sabendo que tenho muita coisa pra mudar.
E que tenho força pra chegar.
Apesar de não saber por onde começar.
Quinta-feira, Junho 03, 2004
Minha janela artística
Todos os dias, embaixo do meu nariz, o sol se põe.
As cores do céu mudam em cada piscar de olhos.
Ora laranja, ora rosa; Ora amarelo, ora azul.
Um arranha-céu corta a nuvem
que eu queria usar como colchão
pra espantar o sono que povoa meus olhos.
Terça-feira, Junho 01, 2004
RECEITA PARA TER UM DIA TRANQUILO:
Ingredientes:
1 cama
2 travesseiros
1 almofada de smile
1 edredon bem fofo e quente
6 horas de sono
Aplicação:
Na noite anterior ao dia tranquilo,
deita na cama depois de um banho quente
abraça a almofada de smile
cubra-se com o edredon
fica bem fofinha quentinha
fecha os olhos.
Agora separa tudo aquilo que te incomoda,
dentro da tua cabeça,
junta tudo com uma pá
coloca tudo numa caixinha
(cada incomodação tem sua própria caixinha - faz uma de cada vez)
não esqueça nadica de nada
lembra de cada detalhe e joga na caixinha
não deixa nada escapar
agora fecha a caixinha,
passa um cadeado
guarda numa gaveta.
Essa chave tu enterra embaixo de uma linda árvore.
Agora fecha todas as portas
e varre a sujeira que sobrou.
Pode dormir 6 horas.
Instruções para o dia seguinte:
Se a incomodação volta a te incomodar
lembra que tu fechou ela numa caixinha.
be happy! :)
Sexta-feira, Maio 28, 2004
"Para você o que você gosta, DIARIAMENTE." (Marisa Monte)
Quero mais jujubas e um remédio pra essa rinite i-n-s-u-p-o-r-t-á-v-e-l!!
Quarta-feira, Maio 26, 2004
Voltando de SAPIRANGA segunda-feira.
Esparramada numa poltrona de ônibus
Dia nubladaço, sete e meia da manhã.
Ali dizia: Em caso de INDISPOSIÇÃO utilize esta embalagem.
A minha indisposição não era apenas por ter ido dormir mais tarde que o normal, nem por ter acordado mais cedo que o habitual. Mas por engolir idéias sem eira nem beira. Por digerir sentimentos que são feito pedra. Por dar ponto com nó na garganta.
O domingo foi ótimo.
A segunda pensativa.
Quinta-feira, Abril 29, 2004
FORMIGAS
Na minha casa tem uma população delas maior que a de pessoas na Índia. Fico impressionada quando vejo elas caminhando em fila indiana rumo à algum resto de comida e nem sempre é resto. Elas não pedem licença, invadem, invadem a minha privacidade meus doces.. tudo! Tudo que é perecível deve ficar dentro da geladeira ou então ilhado num prato com água, e mesmo assim encontro algumas formigas aventureiras nadando atrás de um pedaço de bolo. Elas moram dentro das paredes. Tento segui-las até o destino de casa.. mas elas sempre se perdem em meio a algum azulejo ou atrás de uma estante. Imagino que cortar a parede ao meio não só seria encontrar rede elétrica e hidráulica, mas também a rebelião das milhares de formigas que moram na minha casa, que convivem comigo em silêncio e sem pensar. Mas o engraçado aconteceu ontem quando era passado da meia-noite e fui tomar um banho antes de dormir... me deparei com uma fileira de formigas indo do porta-xampu até a torneira de água fria. Não sei se me surpreendi por imaginar formigas com insônia ou por imaginar formigas tomando banho...